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quinta-feira, 9 de abril de 2009

Craig-Carrier Debate - A ressurreição de Jesus aconteceu? Um debate entre William Lane Craig e Richard Carrier

Craig-Carrier Debate
A ressurreição de Jesus aconteceu? Um debate entre
William Lane Craig e Richard Carrier

Que ocorreu em 18 de Março de 2009
Fonte:
http://eternalhope.blog-city.com/did_the_resurrection_of_jesus_happen_a_debate.htm
Tradução: Prof°. Vieira Lima Jr.


A Ressurreição de Jesus, depois de 2000 anos, continua a suscitar debate. Estudiosos continuam a disputa sobre se o que se relata no Novo Testamento, realmente aconteceu ou se era mito. Um debate entre dois professores de pontos de vista opostos sobre este tema foi realizado recentemente perto de onde eu moro. Os dois homens debateram a partir de dois backgrounds totalmente diferentes. William Lane Craig, defendendo a historicidade da Ressurreição, é um professor teólogo e filosofo. Richard Carrier, defendendo a posição de que a ressurreição não aconteceu, é especialista em história grega e romana. Ambos abordaram o tópico a partir de dois backgrounds diferentes, o que os levou a duas conclusões opostas.

Craig afirmou que existencial e histórica evidência mostra que a ressurreição aconteceu tal como relatada na Bíblia. Ele disse que há quatro fatos que devem que ser explicados por aqueles que não acreditam na historicidade da Ressurreição:

- 1. O fato de que ele foi enterrado, por um membro do Sinédrio;
- 2. O fato do túmulo vazio, nunca contestada;
- 3. As várias aparições do Jesus ressuscitado a várias pessoas;
- 4. O fato de que os discípulos acreditaram em uma ressurreição física literal.

Craig argumentou que todas essas proposições foram corroboradas por várias fontes independentes. Ele disse que “enquanto o túmulo está ocupado, não pode haver cristianismo”. Mas os primeiros sermões de Atos e Paulo, todos estabelecem a Ressurreição, e Mateus especificamente escreveu seu livro para fazer uma defesa contra as acusações de que discípulos haviam roubado o corpo do túmulo. Ele disse que a ressurreição foi primeiro descoberta por mulheres, e disse que elas não eram consideradas testemunhas confiáveis aos olhos dos romanos. Além disso, Craig disse que o fato de que foi um membro do mesmo Sinédrio que matou Jesus que enterrou seu corpo, combinado com o fato de que as mulheres foram as primeiras a testemunharem a ressurreição significa que os relatos dos Evangelhos são trabalhos históricos, e não criações literárias. Craig disse que, porque Marcos foi “gritante em sua simplicidade” em comparação com os relatos posteriores, isso significava que seu objetivo foi o de fornecer uma narrativa histórica. “Os antigos polemizadores judaicos pressuporam que houve um túmulo vazio” disse ele. “Eles tiveram de encontrar uma maneira de explicar isso de uma forma que não implicasse uma ressurreição”.

Craig afirmou que, contrariamente aos argumentos que alegam que Paulo não aceitou um corpo ressuscitado, ele disse que, na verdade, Paulo vislumbrou uma transformação de um corpo terreno para um corpo glorificado e transformado, que Craig disse que foi o que aconteceu com Jesus na teologia paulina. Além disso, Paulo enumera muitas testemunhas, incluindo o 500, Tiago, todos os apóstolos e, em seguida, o próprio Paulo. Craig concluiu que, uma vez que as epístolas de Paulo foram escritas apenas alguns anos após a ressurreição, a mesma não poderiam ter sido não-histórica.

“Houveram várias atestações independentes de que Jesus foi ressuscitado dentre os mortos”, disse Craig ao concluir sua declaração de abertura. “Seu líder estava morto, crenças judaicas impediam essa ressurreição, assim, o que poderia ter feito os discípulos terem uma poderosa e transformadora experiência?" Craig disse que a melhor resposta é a de que Jesus ressuscitou dos mortos. “Isso explica o âmbito, o poder da mensagem, é plausível, não era ad hoc ou artificial, foi aceita de acordo com crenças cristãs, e que agora ultrapassa outras teorias”.

Mas Carrier disse que as duas fontes de Craig, as epístolas e os Evangelhos, não têm relevante valor histórico. “Eles relataram mitos, mas não história”, disse ele. Ele caracterizou as narrativas da Ressurreição como um “histérico e inacreditável” mito em que até mesmo alguns dos nomes eram falsos. Por exemplo, ele disse que Barnabás [Barrabás] não era um nome verdadeiro, e que os relatos dos Evangelhos contêm simbolismos mitológicos. Especificamente, Carrier disse que os Evangelhos apresentam Jesus constantemente invertendo expectativas e que houve coincidências que foram “notavelmente cômodas” para que possa ser uma narrativa histórica.

Por exemplo, em vez de Tiago e João sobre a cruz, havia dois ladrões. Os homens, que foram supostamente os seguidores de Jesus até o fim, abandonaram-no, enquanto as mulheres ficavam com ele, seguindo-lhe todo o caminho até a cruz e sendo as primeiras a se encontrarem com ele depois. De fato, Carrier caracteriza Marcos como tendo construído o seu livro a partir de passagens do Antigo Testamento e de contos romanos. Especificamente, ele disse que a cena da Crucificação foi emprestada de Salmo 23, enquanto Gênesis, Eclesiastes, Crônicas e Salmos 24 foram de outras passagens emprestadas a seu livro. Como outro exemplo, Carrier disse que o relato da estrada de Jerusalém foi emprestado de similares contos romanos sobre seu fundador, Rômulo. Lázaro, a pessoa que ressuscitou dos mortos por Jesus, “não foi citado em nenhum outro lugar”, mas apenas em João, fazendo Carrier concluir que era um mito. Carrier disse que o objetivo da estória de Lázaro em João foi para argumentar contra a parábola do Homem Rico e Lázaro em Lucas, argumentando que, se as pessoas fossem levantadas dos mortos, as demais pessoas seriam convencidas. Mateus e Marcos, disse Carrier, são “brutalmente contraditórios”, com Mateus tomando de empréstimo o seu relato da ressurreição do conto de Daniel na Cova dos Leões.

"Histórias não são escritas dessa maneira", continuou Carrier, que continuou a dar exemplos e explicações. "Houve trevas e terremotos no momento da crucificação, que mais ninguém registrou. Todas as pessoas e eventos foram fabricados (were made up)." O conhecimento de Paulo, ele disse, foi “revelado do céu”. Referindo-se às passagens em Gálatas e 1Coríntios, ele disse que Paulo derivou supostamente todos os seus conhecimentos de Deus. Mas Carrier disse que “a ciência moderna mostra que” existem melhores explicações naturalistas, tais como alucinações, explicando as revelações de Paulo. “Pessoas em todo o mundo tiveram este tipo de alucinação”, explicou Carrier. “Não há provas de que as experiências de Paulo foram uma exceção”. Ele disse que os escritos e as experiências dos primeiros cristãos eram “alucinações religiosamente motivadas” e que havia muitas seitas judaicas místicas semelhantes que estavam florescendo naquela época. Por exemplo, em 2 de dezembro de 2008, a Scientific American dedicou um artigo inteiro explicando como alegadas alucinações de entes queridos são uma parte normal do processo de luto após a morte. Além disso, Carrier disse que os cultos de Cargo e os Shakers e outros grupos religiosos também tiveram essas experiências.

Carrier rejeita a crença do túmulo vazio, dizendo que não houve conhecimento ou investigação de um corpo ausente, o que teria acontecido se tivesse havido um túmulo vazio. “A maioria dos corpos não ressuscitam dos mortos”, disse ele. Carrier disse que, mesmo se houvesse um corpo ausente, isso ainda não quer dizer que foi ressuscitado. E ele disse que o comportamento de Jesus não era compatível com o de um salvador que morreu e foi ressuscitado por nossos pecados. “Se fosse esse o caso, então, ele teria aparecido para o mundo inteiro”, argumentou. Mas Carrier disse que a explicação mais naturalística e lógica era que as pessoas que tiveram este tipo de visões eram respeitadas como profetas naquele tempo na antiga Jerusalém.

Mas Craig disse que os pontos de vista de Carrier sobre a ressurreição estavam “fora do tendência” da maioria estudiosos, os quais ele disse considerarem a Ressurreição como histórica. Craig disse que o objetivo das aparições de Jesus foi comissionar seus discípulos e que as pessoas que não ouviram o evangelho não seriam julgadas com as mesmas normas como as que ouviram. Citando as narrativas das mulheres vendo o Cristo ressuscitado, e o membro do Sinédrio que enterrou Cristo, ele disse que era improvável que tivessem incluído relatos míticos e que o objetivo do livro era descrever eventos que aconteceram. Além disso, Craig alegou que havia abundância de acontecimentos na vida de Jesus sem paralelos, como a sua unção, por exemplo.

“Existem várias fontes independentes, que atestam a Ressurreição de Cristo”, disse Craig. Especificamente, ele citou os relatos dos quatro Evangelhos e os sermões de Atos. Ele disse que era, portanto, “irrelevante” que Paulo tenha aprendido a Ressurreição pela revelação e que Marcos é pré-paulino, o que significa que ele não poderia ter sido influenciada de qualquer forma por Paulo. “Lamento, mas não houve reversão de expectativas", disse Craig. “Marcos foi dominado pelo cumprimento das expectativas de Jesus. Mateus foi escrito para resolver o alegado furto [do corpo] de Jesus do túmulo”. Ele disse que nenhuma das explicações naturalistas explicou todo o quadro e que as alegadas alucinações só explicam as aparições de Cristo e não explica mais nada. “Se você alucinar sobre um morto, ainda assim você percebe que essa pessoa está morta”, disse Craig.

Mas Carrier argumentou que a maioria dos corpos que somem, não some porque foram ressuscitados dos mortos. Ele disse que o ônus da prova estava sobre Craig em afastar explicações naturalistas antes de aceitar uma ressurreição física. Ele disse que não houve consenso acadêmico e que Craig tinha ignorado muitos que eram agnósticas sobre a ressurreição. “Foi uma coincidência notável que todas estas histórias paralelas aparecem em Marcos”, disse ele. Referindo-se a referência de Craig aos sermões de Atos, ele disse que era uma prática comum nos tempos antigos escritores inventarem discursos. Por exemplo, Tucídides, o historiador grego, que escreveu sobre as guerras entre Atenas e Esparta entre 430 e 405 a.C., quando não estava fisicamente presente em um importante discurso político, ele mesmo escrevia o que as figuras falavam, “quanto a ocasião exigia”.

Carrier disse que era “completamente falso” que as mulheres não eram consideradas testemunhas confiáveis na Roma antiga. “Não havia nada de embaraçoso sobre Marcos ter mulheres como as primeiras a encontrarem Jesus”, disse ele. Ele disse que o fato de que as mulheres encontrarem Jesus primeiro simbolizava o fato de que o menor deveria ser o primeiro. “Marcos colocou os motivos dele ter procurado escrever isto”, disse ele. Referindo-se à disputa em torno do túmulo, Carrier alegou que não houve disputa em torno do túmulo, porque se o corpo tivesse desaparecido, teria havido uma investigação e um julgamento. “Nós simplesmente não sabemos o que aconteceu com o corpo”, concluiu. Ele disse que alucinações eram experiências totalmente típicas do comportamento dos primeiros cristãos como grupo que procuravam avançar a partir da morte de seu líder. “Isto não é psicanálise, mas uma questão de tomar ciência reais em relatos para determinar o que aconteceu”, disse Carrier.

Mas Craig disse que os primeiros cristianismos nunca teriam surgido sem um túmulo vazio e repetiu a sua afirmação de que havia várias fontes independentes atestam um túmulo vazio. Ele disse que as únicas coisas que as mulheres poderiam testificar eram a sua virgindade ou o fato de que eram viúvas e que Josefo caracteriza as mulheres como “demasiadamente tendenciosas [tightheaded]” e que só foram utilizados quando necessário. Por isso, não poderia ter sido uma obra ficcional e que era, portanto, um relato histórico o que aconteceu. Ele chamou o argumento de Carrier sobre coincidências “fora dos trilhos [ou um trocadilho inglês entre o significado do nome de Carrier e sair dos trilhos. Uma boa tradução portuguesa seria ‘carris’]”, e afirmou que a teoria da “reversão de expectativas” foi "[concoted] pelo meu adversário", e chamou as interpretações de Carrier de Paulo "debilitada exegese que nenhum estudioso paulino não iria aceitar”.

Carrier disse que os cristãos “regularmente” alucinaram naqueles tempos e perguntou: "Quais são as chances de que todas estas coincidências sejam históricas?" Ele disse que houve vários nomes alegóricos polvilhados no Novo Testamento e várias coincidências, por exemplo, Salomé, uma das mulheres que estava com Jesus até o fim, foi o nome feminino de Salomão. O túmulo vazio, por exemplo, ele disse, foi semelhante ao túmulo da Asa no Antigo Testamento. Carrier disse que a Estória da Crucificação foi emprestada de Salmos 22-24, citando o que ele chamava de conceitos semelhantes e formulação. A estória do jovem nu que fugiu dos soldados na época da captura de Jesus e o mensageiro no túmulo de Marcos, disse Carrier, foram emprestados de narrativas romanas de mistério. “É estranho que Jesus apareceu a apenas algumas pessoas se ele queria salvar o mundo inteiro”, disse ele. “São todas essas incríveis coincidências que o meu adversário quer que vocês acreditem como sendo fatos históricos. Estes cristãos eram propensos a alucinações. Os Evangelhos foram fabricados em uma base regular. Não houve qualquer interesse em comunicar os fatos”. Ele disse que havia várias fontes independentes em tempos antigos que contam sobre as histórias de Hércules, mas que isso não fez de Hercules uma figura histórica.

Um comentário:

pascale disse...

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